Linhas Digitais

Lá vem aquele papo chato de Movimento Estudantil

novembro 27, 2009
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“Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta 
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve 
Você pode e você deve, pode crer 
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver 
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu 
Num quer dizer que você tenha que sofrer”
 

Música: “Até Quando” – Gabriel O Pensador  

 

Por Luana Diniz

O que você pensa quando ouve falar em Movimento Estudantil? Baderneiros, comunistas, esquerda, maconheiros, maltrapilhos, entre outros adjetivos utilizados na maioria das vezes com um tom ‘levemente’ pejorativo. Mas o movimento estudantil vai muito além dessas ofensas clichês sem embasamento. Inclusive, há a direita no movimento, há quem não fume maconha, há quem ande ‘bonitinho’’ – apesar de nenhuma dessas críticas merecerem respostas por serem preconceituosas, mas esta é outra discussão que não será tratada neste texto.

No Brasil, o movimento protagonizado pelos estudantes foi mais intenso na época da ditadura militar, quando os estudantes -em sua grande maioria pertencente à classe pequeno burguesa- eram o grande ícone de oposição ao regime da época. Mas, depois de passada essa fase, o movimento estudantil se desmobilizou, ressurgindo na época das Diretas Já, e voltando a desarticulação logo em seguida. E assim foi até situação atual.

Hoje em dia, observamos uma classe estudantil fragmentada, e os que estão um pouco mais organizados sofrem forte aparelhamento por parte dos partidos políticos, o que às vezes prejudica uma unidade dos ideais. O congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) tem demonstrado bem essa questão, tanto que foi criado o Congresso Nacional dos Estudantes (CNE) em oposição a ele.

O maior problema para criar uma unidade atualmente é que a oposição não é clara como na época do regime militar. Não há um inimigo declarado. As perdas se dão de maneira fragmentada, e com a desmobilização fica a impressão de que não estamos em uma fase preocupante. E a dificuldade é justamente esta. Precisamos discutir nos Centros Acadêmicos (CA’s), nos Diretórios Centrais dos Estudantes das Universidades (DCE’s), nos congressos e encontros nacionais, a situação política, econômica, social pela qual estamos passando. A corrupção, a pobreza, a exploração dos trabalhadores, entre outras questões urgentes só estão piorando cada vez mais. Mas a desarticulação social nos dá a ilusão de que está tudo bem: se forme, seja o empregado do mês em sua empresa, compre seu carro, case, compre um duplex e um labrador, e vai ser feliz.

E há o eterno argumento: antes de fazer a revolução, vá cuidar do básico da sua vida. Dando a entender que primeiro vem o papel individual, e depois, com estabilidade, você vai ajudar a construir uma perspectiva melhor. Mas ambos têm que andar simultaneamente, porque a velocidade das mudanças não permite que a tomada de consciência seja feita em longo prazo.

Voltando propriamente a questão do movimento estudantil, a dinâmica atual nos exige rediscutir o papel da universidade. Não formar só técnico-profissionais, mas pessoas com capacidade técnica que tenham um pensamento crítico a respeito da profissão e da sociedade em que vivem. No ambiente acadêmico há uma visão geral que paira no ar de que só quem cursa a área de humanas deve compor a massa crítica de análise social, quando a sociedade na verdade é composta de um todo e que cada componente deve ter a capacidade de pensar as condições em que vivem.

Claro que ninguém  é obrigado a exercer funções políticas e amanhã se candidatar a presidente do congresso nacional dos estudantes. Precisamos dos teóricos assim como dos práticos, mas que cada um em sua área tome consciência do processo e tenha noção dos reflexos de suas ações ou de sua apatia.

O DCE da UEL é  um exemplo da crise do momento atual. A participação dos alunos nas eleições das chapas é mínima, quase nada diante do número de estudantes. Devido a este fator, fica cada vez mais difícil fazer com que a administração da universidade nos reconheça enquanto classe. Lutas como mais aparelhos para produção audiovisual na disciplina de Jornalismo, por exemplo, ficam muito mais difíceis quando só se manifesta quando ‘aperta o calo’. O problema é a individualização: o quarto ano não vai fazer nada porque está se formando, o primeiro ano não vai fazer nada porque está chegando agora, o segundo ano não toma atitude porque está atolado de outras demandas, e o terceiro ano está no estágio.

Se a participação dos alunos de jornalismo, por exemplo, nas diversas estâncias de representações da universidade fosse mais efetiva, talvez certos problemas do curso já estivessem sanados. Ou pelo menos teria mais visibilidade para fortalecer a causa.

E se os alunos acham que o DCE ou o C.A não os representam que criem outro grupo, que se candidatem a chapa e reformem o sistema atual. Mas enquanto os que são submetidos ao atual sistema implantado continuarem achando que dá pra levar, bom, não vai ser quem administra que vai se incomodar. As coisas só acontecem quando se muda de postura. E se não nos organizamos enquanto estudantes para conquistar nossos direitos em um âmbito ‘menor’ que é dentro da universidade, dificilmente seremos cidadãos atuantes. A hora é sempre agora.

Recomendo o vídeo abaixo: “A folha que sobrou do papel”. Documentário produzido por estudantes de design da UFBA que traz à tona questões do papel da universidade, dos alunos, dos professores, etc. Vale muito à pena assistir!

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E vamos discutir!


Publicado em Fora da Linha

Batuque sem limites

novembro 17, 2009
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Por Renan Teixeira

Desde o seu surgimento, por volta da década de 1920, no formato estrutural pelo qual é conhecida hoje, a bateria é um dos instrumentos musicais que mais dão trabalho e dor de cabeça a seus adeptos e praticantes. Isso devido às inúmeras peças, a maioria em tamanhos grandes, componentes da bateria, que dificultam o transporte e comprometem a sua funcionalidade. Além disso, é um dos instrumentos que mais exigem investimentos, uma vez que as peças têm vida útil curta e normalmente possuem preços altos. Não à toa, é muito mais comum ver iniciantes musicais que escolhem o violão ou a guitarra como o primeiro instrumento.

Antigamente era ainda mais complicado. Até o início do século 19, bandas e orquestras utilizavam instrumentos de percussão de forma separada. Um integrante tocava o bumbo, outro, a caixa, e os pratos ainda marcavam o ritmo paralelamente. Com a implementação do pedal, idealizado em 1910 por Willian F. Ludwig, e de ferramentas como a estante de caixa – antes elas eram apoiadas em cadeiras ou utilizava-se uma correa dependurada no ombro -, não era mais necessária a divisão de funções para promover o batuque em sintonia. Surgia, assim, a bateria, que se tornou um instrumento de prática individual e que, desde então, não parou de evoluir.

A bateria é basicamente composta por:

– Pratos: ataque, chimbal e condução

– Tambores: caixa, tons, surdo e bumbo

Na figura abaixo a imagem de uma bateria convencional e suas peças:

 

 Foto: www.cifraclube.terra.comFoto: www.cifraclub.terra.com

 

Já nos anos 80, aparecem as primeiras baterias eletrônicas, que na época representavam uma tecnologia bastante avançada para a música. Com ela é possível utilizar sons pré-programados e os chamados samplers, sons armazenados em memória digital que podem ser reproduzidos a qualquer momento de acordo com o arranjo musical desejado. O ponto positivo é que cada componente pode ter o volume regulado conforme o gosto do usuário. Apesar de ter um preço elevado, essa espécie de bateria também surgiu como uma alternativa para o problema do barulho causado pelo instrumento, que tanto incomoda vizinhanças mundo afora, além disso, não necessita da troca constante de peças como no modelo convencional.

                            Foto: Mundomax.com.br

Na era digital: exemplar de uma bateria eletrônica

Quem tem uma bateria, aqueles que praticam, já praticaram, ou simplesmente simpatizam com o instrumento, conhecem bem os transtornos causados pela batera. Não é fácil achar um espaço bom para montá-la, pior ainda é carregá-la para outro local quando se precisa. O barulho, então, é algo indiscutível. Moradores de apartamentos ou ‘apertamentos’, principalmente, sofrem com todos esses problemas juntos.

Dos problemas, e de um cenário de evolução constante, pariu-se uma solução muito eficiente para quem quer estudar o instrumento mas não pode tê-lo em casa: as baterias de estudo, conhecidas como “praticáveis”. São réplicas montáveis-desmontáveis, em um kit que inclui as estruturas básicas de uma bateria comum (conforme foi demonstrado). Normalmente são compostas por pads, placas amortecidas de borracha que emitem sons neutros e alcançam um bom nível de rebote ou resposta. Compacta, silenciosa e com um preço bem mais em conta que uma bateria eletrônica – uma bateria de estudo varia entre 150 e 300 reais -, essas baterias estão ganhando cada vez mais espaço entre os praticantes. No Brasil, a produção das praticáveis ainda engatinha.

Em Londrina, recentemente, surgiu uma marca que começa a ganhar força neste segmento. A bateria praticável Gorilla foi idealizada na cidade e agora começa a atuar no mercado. Waldner Fernandez (Didi Fernandez), baterista da banda londrinense de metal, Subtera – radicada em São Paulo há alguns anos – é um dos representantes e divulgadores da marca.

                           Foto: institutomusicalfabioschneider.blogspot.com

A bateria de estudo: solução prática e econômica para o barulho


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Um dólar pelo seus pensamentos…

novembro 12, 2009
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Por Bruna Lima

Comenta-se que, no período histórico conhecido como Guerra Fria (1945 – 1991), os soviéticos tentaram desenvolver técnicas de controle mental de seus subordinados e dos soldados adversários. Até hoje nada foi comprovado em relação a isso, mas agora os norte-americanos parecem estar levando a sério essa novidade tecnológica. Esqueça os detectores de mentiras e os testes com polígrafos: o exército dos Estados Unidos da América criou um projeto para desenvolver os chamados “capacetes do pensamento” – eles teriam uma rede de sensores capazes de ler, em tempo real, o que a pessoa está pensando.

A ideia principal é usar esse aparelho para que os soldados possam se comunicar sem fazer barulho e controlar armas diretamente com o pensamento. Parece loucura? Pois veja só: já existe um aparelho, de US$ 300, que permite controlar jogos com a força da mente – basta “pensar” num movimento simples (como pular ou correr) para que ele seja reproduzido no videogame. Os militares querem construir um capacete bem mais sofisticado, com 10 vezes mais eletrodos, que consiga captar as palavras mentalizadas pelos soldados.

Segundo o neurocientista Elmar Schmeisser, um dos idealizadores do projeto, as mensagens seriam lidas em voz alta por um robô e enviadas aos demais soldados, que ouviriam tudo através de fones de ouvido instalados em seus capacetes. Além disso, experiências provaram que, aplicando campos magnéticos sobre o cérebro, é possível modificar as correntes elétricas que passam dentro dele – e, com isso, induzir sensações e alterar o comportamento das pessoas (deixando-as mais espertas, egoístas ou alegres, por exemplo). Assim, além de se comunicar telepaticamente e controlar armas com o pensamento, os soldados também poderiam receber ordens no cérebro – tudo graças ao “super capacete”.

Parece assustador, não? Resta saber se, caso o exército norte-americano realmente consiga desenvolver esse “capacete de pensamento”, saberá fazer uso consciente dele. Só o fato de ser projetado para fins militares já faz com que essa ideia tenha contornos de desastre. Afinal, sabe-se que a mente humana ainda é demasiadamente complexa para ser compreendida e manipulada. Segundo os americanos, a pesquisa vai levar pelo menos 10 anos para ser completada. O mais provável é que, até lá, algumas invenções arcaicas sejam incorporadas aos poucos no nosso dia a dia. Se é plenamente possível, ou se é para o bem ou para o mal, por enquanto ninguém sabe afirmar. O que mais podemos esperar é que o desenvolvimento tecnológico não atropele o bom senso humano.


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Da janela virtual

novembro 5, 2009
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Por Ana Soranso

Nome, apelido, gostos, idéias, fotos com a galera, opiniões. Tudo. Exatamente tudo o que sentimos, achamos e fazemos está disposto nessa vitrine virtual que lhes apresenta este texto. A janela do indivíduo para o mundo e do mundo para o indivíduo. Talvez tudo isso não passe  de uma espionagem.

Todos nós estamos dispostos a espionagem. Mas espionados por quê  e por quem?

A todo momento estamos preenchendo algo na internet. Pode ser para criar um e-mail ou mesmo um teste para saber se ele é o cara certo, mas a todo momento estamos sendo rastreados. Sorria você está sendo rastreado!

Às vezes tenho a sensação de estar sendo vista. Observada! Percebeu alguma coisa? Tem certeza?

Na verdade, esta janela na qual olho agora, parece que o tempo todo me observa. Continue olhando para ela. Percebe como ela te encara?

Ela te dá uma vista para o mundo, mas o mundo também te vê através dela. Isso é estranho. A todo momento é como se eu estivesse sendo observada. O que foi isso? Ah…Nada, foi só um spam.

Outro cadastro. Para que tanto cadastro? Como você sabe que esse não é meu CPF? Claro que é! Ah, não é mesmo, bati um número errado. Mas como você sabe disso. Parece que a janela viu o CPF em minhas mãos. É como se ela me observasse.

Como é que os responsáveis por essa propaganda descobriram o meu e-mail? Mas eles são de outro estado. Eu nunca estive em Minas Gerais! Então como eles sabem meu e-mail? Que estranho. Me sinto como se estivesse sendo observada.

O que foi isso agora? Ouviu? Não?! Ouvi sim! Opa! É só o Marcelinho chamando minha atenção no MSN. Acho que é aniversário do Robson, pois tem um bolinho na frente do nome dele. É melhor confirmar no Orkut. É mesmo. O bom é que assim não há como esquecer. A Vivian está com fotos novas. Ela foi para alguma praia. Exibidinha essas fotos. Só porque tem um corpão. A Bruninha é que está gordinha. Precisa de uma academia. Coitadinha!

O que? O que está acontecendo? Vai explodir o meu PC! É um vírus!!! Como um vírus entrou no meu computador? Alguém o enviou pra mim? Ou será que veio naquele arquivo do novo álbum da Nação Zumbi que eu baixei?! Ah não! NÃO!!!

Justo agora que eu estava lendo as mensagens do Marcelinho no Orkut. Tinha que apagar assim janelinha?!

Janelinha danada. Acho que ela estava o tempo todo me observando…


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Blog da turma 4º ano de Jornalismo matutino, da Universidade Estadual de Londrina - UEL

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