Linhas Digitais

O tempo da tecnologia

abril 28, 2010
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Por Leandro Kunhavalick

Desde os tempos da caverna o homem utiliza as criações tecnológicas para facilitar sua vida social. A grande evolução tecnológica humana,  já descrita e dividida pelo pensador Alvin Toffler em três grandes periodos, é cada vez mais rápida. Tecnologias que hoje julgamos ser de ponta, dentro de meses se tornam ultrapassadas. E um simples produto eletrônico tem seu valor de mercado cada vez menor em função de sua desatualização em relação a outros lançamentos similares ou superiores.

 Um belo exemplo podem ser os aparelhos de música portáteis. Quem é mais velho ainda se lembra dos famosos Walkmans, aparelhos que reproduziam músicas de fitas, muito comuns na década de oitenta e que rapidamente foram substituidos pelos Disckmans, que já utilizavam Cd’s na reprodução de áudio. A evolução e a redução de tamanho não pararam por aí, logo surgiram os aparelhos MP3, menores, com bateria mais durável e com preço mais acessível, logo se tornaram muito populares por todo o mundo, e hoje são os principais companheiros de muitas pessoas, seja dentro do ônibus ou durante a prática de uma simples caminhada.

Um importante fator a ser analisado é o preço real destas tecnologias. Na década de 80, quem tinha um aparelho de Walkman poderia ser considerado como uma pessoa de posses, pois o valor do produto era bastante alto e seu mercado bastante restrito. Diferentemente de hoje, em que um aparelho de MP13 ( não sei se este já é ultrapassado) tem valores bem mais acessiveis. A grande popularização das tecnologias beneficia o homem comum e se deve ao grande crescimento da industria, que para bem ou mal, tenta de qualquer maneira comercializar o maior número de produtos possíveis.

O próprio dinheiro que move nossa sociedade capitalista também foi fortemente afetado pelas inovações tecnológicas. Hoje é raro o individuo que anda com cédulas de papel em seu bolso. Os cartões de débito e crédito, chamados por muitos de dinheiro virtual, hoje são aceitos na maioria dos estabelecimentos comerciais, inclusive no interior e zonas rurais. Mais uma prova da tecnologia em favor do homem.


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FICÇÃO! …Ficção?!

dezembro 1, 2009
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Por Andrey Shevchuk

“Adeus ao corpo”, de 1999, escrito pelo professor de antropologia da Universidade de Estrasburgo, David Le Breton, trata sobre as novas tecnologias e suas relações com o corpo. Entre os temas abordados pelo francês, a discussão a respeito do Pós-Humano:

 Entusiastas das novas tecnologias acreditam piamente que, em um curto período de tempo, o homem será eternizado como máquina. Esses profetas do futuro crêem que a única parte indispensável ao ser humano é seu espírito, e que o corpo nada mais é do que uma carne perecível, com limitadíssimo prazo de validade, e absolutamente descartável. Sendo assim, para que o homem pudesse viver plenamente e eternamente, seria necessária apenas a transferência da sua alma para a internet, onde não existem barreiras entre o querer e o poder.

Uma comunidade virtual norte-americana, os extropianos, se ocupa com essa possibilidade e acredita que, para que isso se torne possível, basta construir um programa de computador com cada neurônio e cada sinapse de um cérebro particular fazendo assim a transferência entre o espírito, com toda sua memória, e o computador, deixando o corpo à deriva [simples, não?]. Alguns vão além, acreditam que, num futuro próximo, o homem tal como conhecemos hoje não será mais que uma simples curiosidade histórica, um ponto perdido numa imensidade de novas formas, um gênero varrido do mundo graças a uma evolução mecânica.

Segundo alguns defensores desse processo, a estrutura física humana tal qual ela é hoje já não suporta mais a gama de informações e conhecimentos produzidos pela sociedade atual. A morte também é considerada a ruína dos esforços do espírito, de tudo que foi adquirido em vida, e que a chegada da era pós-biológica trará fim a esse martírio.

O ciberespaço reuniria essa nova raça que não mais possuiria limites para sua existência. A realidade virtual seria a única realidade. Você poderia lançar-se nas correntezas do rio Verdon, na Provença, surfar nas ondas de um spot no México, caçar leões em uma floresta equatorial, despir a mulher dos seus sonhos num jogo erótico [muito legal, hein].

A principal vantagem que repousa nessa teoria é a inexistência de diferenciação entre os indivíduos. Não existindo mais conexão com o mundo real, pessoas com qualquer deficiência motora poderiam esbanjar da plenitude da vida sem se preocupar com suas limitações físicas. Todos seriam iguais perante o mundo, sem distinção de raça, cor, classe ou sexo. Uma sociedade, finalmente, igualitária.

 

E aí, você acredita que isso é possível? Junte-se a eles: www.extropy.org.


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Novas Tecnologias abrem espaço para o Jornalismo Participativo

novembro 27, 2009
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Por Soraia Barros

Essa semana tivemos a notícia de que o youtube abriu espaço para os cidadãos mandarem vídeos armadores que poderão ser utilizados pelos sites de notícia.

O youtube direct é mais um exemplo de que a evolução tecnológica abre a possibilidade para que qualquer pessoa possa produzir conteúdo noticioso. 

Assim como em alguns jornais americanos que já abrem espaço para o jornalismo participativo, o youtube direct apresenta algumas restrições para garantir a credibilidade do material veiculado. Todo material que chegue dessa nova fonte de informação, deverá ser previamente checado. Ou seja, ainda haverá um filtro que intermediará a relação informação – notícia. E quem fará essa intermediação? O jornalista, é claro.

Assim, mesmo que a proposta do youtube direct pareça favorecer a prática do jornalismo cidadão ela otimiza uma necessidade não tão cidadã e sim empresarial: empresas jornalísticas do mundo todo terão acesso rápido e barato a imagens de qualquer localidade do planeta. Isso, com certeza é vantagem para as empresas que poderão optar por imagens de cinegrafistas armadores ao invés de deslocar toda uma equipe para uma determinda localidade em busca da notícia. E ainda, considerando que nas reportagens factuais o que vale é a informação e não a qualidade da imagem, o youtube direct veio a calhar.

Mais que cidadania, o youtube direct  é comodiddade e praticidade para quem trabalha contra o relógio.

Pense nisso, leitor.

Boa leitura e ótima semana!


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Lá vem aquele papo chato de Movimento Estudantil

novembro 27, 2009
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“Não adianta olhar pro céu com muita fé e pouca luta 
Levanta aí que você tem muito protesto pra fazer e muita greve 
Você pode e você deve, pode crer 
Não adianta olhar pro chão, virar a cara pra não ver 
Se liga aí que te botaram numa cruz e só porque Jesus sofreu 
Num quer dizer que você tenha que sofrer”
 

Música: “Até Quando” – Gabriel O Pensador  

 

Por Luana Diniz

O que você pensa quando ouve falar em Movimento Estudantil? Baderneiros, comunistas, esquerda, maconheiros, maltrapilhos, entre outros adjetivos utilizados na maioria das vezes com um tom ‘levemente’ pejorativo. Mas o movimento estudantil vai muito além dessas ofensas clichês sem embasamento. Inclusive, há a direita no movimento, há quem não fume maconha, há quem ande ‘bonitinho’’ – apesar de nenhuma dessas críticas merecerem respostas por serem preconceituosas, mas esta é outra discussão que não será tratada neste texto.

No Brasil, o movimento protagonizado pelos estudantes foi mais intenso na época da ditadura militar, quando os estudantes -em sua grande maioria pertencente à classe pequeno burguesa- eram o grande ícone de oposição ao regime da época. Mas, depois de passada essa fase, o movimento estudantil se desmobilizou, ressurgindo na época das Diretas Já, e voltando a desarticulação logo em seguida. E assim foi até situação atual.

Hoje em dia, observamos uma classe estudantil fragmentada, e os que estão um pouco mais organizados sofrem forte aparelhamento por parte dos partidos políticos, o que às vezes prejudica uma unidade dos ideais. O congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) tem demonstrado bem essa questão, tanto que foi criado o Congresso Nacional dos Estudantes (CNE) em oposição a ele.

O maior problema para criar uma unidade atualmente é que a oposição não é clara como na época do regime militar. Não há um inimigo declarado. As perdas se dão de maneira fragmentada, e com a desmobilização fica a impressão de que não estamos em uma fase preocupante. E a dificuldade é justamente esta. Precisamos discutir nos Centros Acadêmicos (CA’s), nos Diretórios Centrais dos Estudantes das Universidades (DCE’s), nos congressos e encontros nacionais, a situação política, econômica, social pela qual estamos passando. A corrupção, a pobreza, a exploração dos trabalhadores, entre outras questões urgentes só estão piorando cada vez mais. Mas a desarticulação social nos dá a ilusão de que está tudo bem: se forme, seja o empregado do mês em sua empresa, compre seu carro, case, compre um duplex e um labrador, e vai ser feliz.

E há o eterno argumento: antes de fazer a revolução, vá cuidar do básico da sua vida. Dando a entender que primeiro vem o papel individual, e depois, com estabilidade, você vai ajudar a construir uma perspectiva melhor. Mas ambos têm que andar simultaneamente, porque a velocidade das mudanças não permite que a tomada de consciência seja feita em longo prazo.

Voltando propriamente a questão do movimento estudantil, a dinâmica atual nos exige rediscutir o papel da universidade. Não formar só técnico-profissionais, mas pessoas com capacidade técnica que tenham um pensamento crítico a respeito da profissão e da sociedade em que vivem. No ambiente acadêmico há uma visão geral que paira no ar de que só quem cursa a área de humanas deve compor a massa crítica de análise social, quando a sociedade na verdade é composta de um todo e que cada componente deve ter a capacidade de pensar as condições em que vivem.

Claro que ninguém  é obrigado a exercer funções políticas e amanhã se candidatar a presidente do congresso nacional dos estudantes. Precisamos dos teóricos assim como dos práticos, mas que cada um em sua área tome consciência do processo e tenha noção dos reflexos de suas ações ou de sua apatia.

O DCE da UEL é  um exemplo da crise do momento atual. A participação dos alunos nas eleições das chapas é mínima, quase nada diante do número de estudantes. Devido a este fator, fica cada vez mais difícil fazer com que a administração da universidade nos reconheça enquanto classe. Lutas como mais aparelhos para produção audiovisual na disciplina de Jornalismo, por exemplo, ficam muito mais difíceis quando só se manifesta quando ‘aperta o calo’. O problema é a individualização: o quarto ano não vai fazer nada porque está se formando, o primeiro ano não vai fazer nada porque está chegando agora, o segundo ano não toma atitude porque está atolado de outras demandas, e o terceiro ano está no estágio.

Se a participação dos alunos de jornalismo, por exemplo, nas diversas estâncias de representações da universidade fosse mais efetiva, talvez certos problemas do curso já estivessem sanados. Ou pelo menos teria mais visibilidade para fortalecer a causa.

E se os alunos acham que o DCE ou o C.A não os representam que criem outro grupo, que se candidatem a chapa e reformem o sistema atual. Mas enquanto os que são submetidos ao atual sistema implantado continuarem achando que dá pra levar, bom, não vai ser quem administra que vai se incomodar. As coisas só acontecem quando se muda de postura. E se não nos organizamos enquanto estudantes para conquistar nossos direitos em um âmbito ‘menor’ que é dentro da universidade, dificilmente seremos cidadãos atuantes. A hora é sempre agora.

Recomendo o vídeo abaixo: “A folha que sobrou do papel”. Documentário produzido por estudantes de design da UFBA que traz à tona questões do papel da universidade, dos alunos, dos professores, etc. Vale muito à pena assistir!

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem.

E vamos discutir!


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Você, cidadão-jornalista, tuba?!

novembro 25, 2009
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Por Fernanda Souza

O YouTube, maior site de vídeos da internet, tem a mais nova ferramenta de jornalismo amador na internet: o YouTube Direct (http://www.youtube.com/direct). Uma plataforma em que cidadãos comuns podem enviar vídeos a serem utilizados por agências de notícias.

 As agências ABC News, The Huffington Post, NPR, Politico, The San Francisco Chronicle, The Washington Post e a WHDH-TV/WLVI-TV de Boston já aderiram ao YouTube Direct.

Mas, quem ver a novidade do YouTube Direct e pensar que vai poder exercer a prática jornalística e ser observado por corporações de comunicação do mundo todo, engana-se. Não é por aí que vai ficar fácil conseguir uma tão querida e glorificada vaga no mercado de trabalho. Pelo menos não é esse o foco da proposta.

É simples. Aquela tragédia, que geralmente tem alguém passando e grava no celular ou na câmera digital poderá agora ser postada em um ou vários canais a mais para divulgação. Não só a tragédia, espera-se.

Os vídeos caseiros sobre grandes acontecimentos já são utilizados no Brasil, por exemplo,  em noticiários locais, regionais e nacionais na televisão e na internet, a diferença é que ao ter seu vídeo na ‘telinha’ da TV, é bem provável que ele não tenha sido ‘doado’ para a organização, se é que vocês me entendem.

Também longe da discussão da exigência ou não de um diploma de jornalismo, a liberdade de expressão no caso vai recair na complexidade, qualidade e credibilidade dos vídeos enviados. As agências de notícia ou demais interessados (já que, como nos mostra o próprio YouTube, o Direct pode ser usado por qualquer site ou organização procurando conteúdo), vão receber milhares ou milhões de vídeos todos os dias, do mundo todo, sobre as coisas mais incríveis (críveis?).

As agências de notícia devem selecionar o material a ser ou não usado em seus sites. A credibilidade do conteúdo, por mais que o YouTube filtre seus “enviadores” ao pedir suas informações, ainda não será garantida, ou seja, quem for usar os vídeos como notícia, terá que ir atrás da informação e checá-la. Uma missão difícil para as pequenas organizações que se inscreverem para receber os vídeos. Um conteúdo a mais para os ‘gatekeepers’ (“selecionadores” de notícias) das grandes empresas de comunicação.

Não cair em uma mentira muito bem contada, com ótimas imagens e alta credibilidade, é um desafio. Por outro lado, ter as imagens certas ao alcance, o quanto antes, pode contribuir para o conteúdo dos sites de notícia. Além disso, mesmo com a plataforma nova, todos os videos devem ainda permanecer no site oficial do YouTube, para serem acessados por todos os usuários.


Como surgiram os blogs?

novembro 25, 2009
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Jacqueline Queiroz

Cada vez mais os blogs conquistam espaço como nova mídia, a cada dia são criadas milhares de novas páginas. Seus criadores vão desde adolescentes, que escrevem coisas rotineiras até grandes veículos de comunicação que vislumbraram nessa ferramenta, um novo meio de interação com o público.

Quem vê essa rápida disseminação dos blogs pode pensar que eles são uma criação recente, mas eles já estão aí há um bom tempo. O primeiro weblog foi criado por Jorn Barger, em 17 de dezembro de 1997 e mantém até hoje a formatação original.

Já a abreviação “blog”, surgiu de uma “brincadeira” feita por Peter Merholz, que desmembrou a palavra weblog para formar a frase we blog (“nós blogamos”) na barra lateral de seu blog, em meados de abril de 1999.

O blog como é concebido hoje é uma evolução dos diários online, onde pessoas mantinham informações constantes sobre suas vidas pessoais. Estes primeiros blogs eram simplesmente componentes de sites, atualizados manualmente no próprio código da página. A evolução das ferramentas que auxiliam a produção e manutenção de artigos postados em ordem cronológica facilitou o processo de publicação, ajudando em muito na popularização do formato.

No início do ano 2000, o Blogger criou uma inovação – o permalink, conhecido em português como ligação permanente ou apontador permanente – que transformaria o perfil dos blogs. Os permalinks garantiam a cada publicação num blog uma localização permanente – uma URL – que poderia ser referenciada. Anteriormente, a recuperação em arquivos de blogs só era garantida através da navegação cronológica. O permalink permitia então que os blogueiros pudessem referenciar publicações específicas em qualquer blog.

A blogosfera – termo que representa o mundo dos blogs – cresceu em ritmo espantoso. Em 1999 o número de blogs era estimado em menos de 50; no final de 2000, a estimativa era de poucos milhares. Menos de três anos depois, os números saltaram para algo em torno de 2,5 a 4 milhões. De acordo com o estudo State of Blogosphere, atualmente existem cerca de 112 milhões de blogs e cerca de 120 mil são criados diariamente.


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Sobre abismos e apanhadores

novembro 25, 2009
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Por Mariana Medeiros

O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger, é um livro que gera polêmica. Primeiro em 1980, com o assassino de John Lennon afirmando que usou a obra como fonte de inspiração para cometer o crime e, mais recentemente, quando o austríaco Fredrik Colting, foi impedido judicialmente de publicar uma continuação da história com o personagem 60 anos mais velho.

     Discussões à parte, é quase senso comum que a vida de um adolescente norte-americano de classe média alta, quando bem contada, pode ser muito envolvente e até mesmo enternecedora. Nesse caso, a linguagem simplista e cheia de coloquialismos faz toda a diferença. Pela sinopse, o livro parece insosso, quase bobo. A história de um adolescente que, ao ser expulso do colégio devido às notas baixas, foge para New York e passa alguns dias escondido dos pais, porém na mesma cidade em que eles.

     Durante essa fuga, o mundo adulto da luxúria e da embriaguez facilmente se abre para o jovem Holden Calfield e as experiências por ele vividas certamente marcariam a vida de um adolescente comum. Mas Calfield não é exatamente um garoto como os outros. Com uma pureza de espírito e uma aversão ao comodismo e a tudo que se apresenta com vulgaridade de idéias, o desenrolar dos fatos parece natural para o rapaz e tudo que ele quer, realmente, é estar em um campo de centeio, apanhando os meninos que estão caindo em um abismo (daí a justificativa do título do livro, uma alusão a um poema de Robert Burns).

     Nesse ponto, fica claro para o leitor que, na verdade, é o próprio Calfield que se sente caindo em um abismo, não em razão das baixas notas escolares, mas pela maneira com que a sociedade está estruturada, que o jovem considera medíocre e injusta. No entanto, o garoto não se mostra rebelde, tampouco agressivo ou revoltado. Talvez seja exatamente por apresentar um rapaz que é, apesar de tudo, amoroso e sensível, que a obra consiga comover tantas pessoas.

     Uma história singela, pura e bonita, com leitura recomendada para todos, principalmente os mais jovens. 

Notas técnicas

     O Apanhador no Campo de Centeio (The Catcher in the rye) está na 14° edição, publicado pela Editora do autor. Foi escrito em 1945 por Jerome David Salinger e tem 208 páginas, divididas em 26 capítulos. Atualmente, a obra custa em torno de R$ 50,00.


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Finlândia: ponta de lança na democratização da comunicação?

novembro 20, 2009
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Por Auber Silva

Recentemente o governo finlandês aprovou uma lei que garantirá, para cada cidadão finlandês, o direito de acesso à internet banda larga. Inicialmente, está previsto que em 2010 cada habitante poderá desfrutar de uma conexão gratuita com taxa de transferência de 1mb por segundo. A meta estabelecida pelas autoridades do país escandinavo é ainda mais ambiciosa: em 2015 os 5.5 milhões de finlandeses deverão ter acesso a uma internet banda larga de 100mb por segundo. O objetivo da lei, segundo o Ministério dos Transportes e Comunicações, é promover – com o auxílio da internet rápida – um aumento de produtividade em todas as áreas do país, resultando assim em melhores condições para competição no mercado global. Além disso, os autores do projeto entendem que assim como o direito de expressão, o sui generis “direito de conectividade total” deve ser preservado constitucionalmente para garantir o livre acesso da população à informação.

Em meio aos avanços tresloucados das ferramentas e técnicas de comunicação, esta notícia serve para nos alertar de forma providencial de que precisamos urgentemente pensar, antes das técnicas, o caráter normativo da comunicação. Na onda tecnológica, preocupamo-nos cada vez mais com as novas possibilidades que os equipamentos de última geração nos apresentam a cada semana. Porém, é mais comum discutirmos sobre as configurações técnicas destas ferramentas do que sobre como usar estas ferramentas e, até mesmo, a real necessidade destes produtos.

A resolução finlandesa – de certa forma uma aula sobre visão de futuro – nos leva aos questionamentos levantados pelo sociólogo francês Dominique Wolton. Em seu livro “É preciso salvar a comunicação”, o pensador defende que a comunicação – por ocupar o cerne de todas as relações sociais da vida contemporânea – é um valor tão importante quanto a tríade humanista “liberdade, igualdade e fraternidade” na busca do fortalecimento da democracia. “Salvar a comunicação é antes de tudo preservar sua dimensão humanista: o essencial da comunicação não está do lado das técnicas, dos usos ou dos mercados, mas do lado da capacidade de ligar ferramentas cada vez mais performáticas a valores democráticos, como se viu com o imenso movimento de solidariedade mundial por ocasião do Tsunami de dezembro de 2004 no sudeste asiático”, exemplifica.

A troca de informações, opiniões, visões de mundo e valores culturais é que são essenciais para a construção de um mundo conectado em que as diferenças serão vistas e, principalmente, compreendidas pelo outro. Hoje, conhecemos a pluralidade cultural que habita o nosso planeta. Conhecemos e estamos próximos uns dos outros graças aos avanços das tecnologias de telecomunicações, mas ainda ressentimos de desenvolvimentos no campo social, político e cultural, já que não conseguimos respeitar e coabitar com este “outro”.

Quem sabe este passo pioneiro dado pela Finlândia não nos mostre que o caminho, após desenvolvidas à  excelência as técnicas, seja a valorização do homem como mestre da ferramenta, e não o contrário. Deste modo, talvez a humanidade poderá compreender as suas diferentes faces sem iniciar, vez ou outra, movimentos antropofágicos originados no preconceito e na ignorância – duas palavras inconcebíveis em tempos de profusão da comunicação e encurtamento das distâncias.


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Batuque sem limites

novembro 17, 2009
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Por Renan Teixeira

Desde o seu surgimento, por volta da década de 1920, no formato estrutural pelo qual é conhecida hoje, a bateria é um dos instrumentos musicais que mais dão trabalho e dor de cabeça a seus adeptos e praticantes. Isso devido às inúmeras peças, a maioria em tamanhos grandes, componentes da bateria, que dificultam o transporte e comprometem a sua funcionalidade. Além disso, é um dos instrumentos que mais exigem investimentos, uma vez que as peças têm vida útil curta e normalmente possuem preços altos. Não à toa, é muito mais comum ver iniciantes musicais que escolhem o violão ou a guitarra como o primeiro instrumento.

Antigamente era ainda mais complicado. Até o início do século 19, bandas e orquestras utilizavam instrumentos de percussão de forma separada. Um integrante tocava o bumbo, outro, a caixa, e os pratos ainda marcavam o ritmo paralelamente. Com a implementação do pedal, idealizado em 1910 por Willian F. Ludwig, e de ferramentas como a estante de caixa – antes elas eram apoiadas em cadeiras ou utilizava-se uma correa dependurada no ombro -, não era mais necessária a divisão de funções para promover o batuque em sintonia. Surgia, assim, a bateria, que se tornou um instrumento de prática individual e que, desde então, não parou de evoluir.

A bateria é basicamente composta por:

– Pratos: ataque, chimbal e condução

– Tambores: caixa, tons, surdo e bumbo

Na figura abaixo a imagem de uma bateria convencional e suas peças:

 

 Foto: www.cifraclube.terra.comFoto: www.cifraclub.terra.com

 

Já nos anos 80, aparecem as primeiras baterias eletrônicas, que na época representavam uma tecnologia bastante avançada para a música. Com ela é possível utilizar sons pré-programados e os chamados samplers, sons armazenados em memória digital que podem ser reproduzidos a qualquer momento de acordo com o arranjo musical desejado. O ponto positivo é que cada componente pode ter o volume regulado conforme o gosto do usuário. Apesar de ter um preço elevado, essa espécie de bateria também surgiu como uma alternativa para o problema do barulho causado pelo instrumento, que tanto incomoda vizinhanças mundo afora, além disso, não necessita da troca constante de peças como no modelo convencional.

                            Foto: Mundomax.com.br

Na era digital: exemplar de uma bateria eletrônica

Quem tem uma bateria, aqueles que praticam, já praticaram, ou simplesmente simpatizam com o instrumento, conhecem bem os transtornos causados pela batera. Não é fácil achar um espaço bom para montá-la, pior ainda é carregá-la para outro local quando se precisa. O barulho, então, é algo indiscutível. Moradores de apartamentos ou ‘apertamentos’, principalmente, sofrem com todos esses problemas juntos.

Dos problemas, e de um cenário de evolução constante, pariu-se uma solução muito eficiente para quem quer estudar o instrumento mas não pode tê-lo em casa: as baterias de estudo, conhecidas como “praticáveis”. São réplicas montáveis-desmontáveis, em um kit que inclui as estruturas básicas de uma bateria comum (conforme foi demonstrado). Normalmente são compostas por pads, placas amortecidas de borracha que emitem sons neutros e alcançam um bom nível de rebote ou resposta. Compacta, silenciosa e com um preço bem mais em conta que uma bateria eletrônica – uma bateria de estudo varia entre 150 e 300 reais -, essas baterias estão ganhando cada vez mais espaço entre os praticantes. No Brasil, a produção das praticáveis ainda engatinha.

Em Londrina, recentemente, surgiu uma marca que começa a ganhar força neste segmento. A bateria praticável Gorilla foi idealizada na cidade e agora começa a atuar no mercado. Waldner Fernandez (Didi Fernandez), baterista da banda londrinense de metal, Subtera – radicada em São Paulo há alguns anos – é um dos representantes e divulgadores da marca.

                           Foto: institutomusicalfabioschneider.blogspot.com

A bateria de estudo: solução prática e econômica para o barulho


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Tecnologia para o bem e para o mal

novembro 14, 2009
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Por Soraia Barros

Essa semana tivemos duas notícias que mostraram a tecnologia como uma faca de dois gumes: quarta no Alinhando o Presente tivemos a história gloriosa do Cacique Almir Surui e o google, e quinta no Fora da Linha especulamos a possibilidade de controlar os nossos e os pensamentos alheios.

A história de Surui começa quando em um cibercafé ele acessa o google mapz e fica espantado ao descobrir que sua aldeia fica em uma área de desmatamento. Ao mesmo tempo, o seu primeiro contato com a internet abre seus olhos para a possibilidade de transmitir a consciência de seu povo para todo o mundo. Almir Surui entrou em contato com a ONG Equipe de Conservação da Amazônia e decidiu ir para os EUA procurar o google para mostrar o descaso do poder público com a preservação da mata. Seu engajamento teve resultados: os índios da reserva receberam computadores e até smartphones para registrar e denunciar casos de extração ilegal da madeira.

O resultado disso você pode conferir no documentário “Trocando Arcos de Flechas por Laptops” de Denise Zmekhol:

No entanto, enquanto nesse caso enxergamos com otimismo e temos a certeza que a tecnologia pode ser usada na preservação do ambiente, vimos em “Fora da Linha ” a velha história: o homem querendo ir além da sua humanidade. Nesse caso, ganhando a capacidade de controlar as suas atividades cerebrais e de seus semelhantes. Em “Um dólar pelos seus pensamentos”, tivemos uma revisão histórica (desde o período) da Guerra Fria  dessa tentativa. A União Soviética investia em estudos que desenvolvessem técnicas de controle mental. O muro de Berlim caiu, e a potência capitalista estadunidense resolveu também invstir pesado nessa linha.

Como vimos no “Fora da Linha” já existem projetos de “capacetes de pensamento” , arquitetados, provavelmente, com fins bélicos. O que causa receio, pra não dizer medo. Afinal, como o próprio autor do post disse ” a mente humana ainda é demasiadamente complexa para ser manipulada”.

Isso só faz acreditar que é papel de nós da comunicação e da comunidade científica levar a público a discussão dos estudos realizados nas diversas áreas do conhecimento, suas implicações, benefícios e riscos. O desenvolvimento tecnológico e científico está aí, e pode ser usado para o bem ou para o mal. As consequências de como serão utilizadas cada descoberta científica, vai muito além dos tubos de ensaio e paredes de um laboratório. E quem vai conviver com isso tem o direito de opinar e debater.

Boa tarde e boa leitura, blogueiro!

Linhas Digitais é uma produção dos estudantes do terceiro ano de  jornalismo pela disciplina de Novas Tecnologias. O blog está sob a coordenação da docente Rosane Borges.


Publicado em Editorial
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Blog da turma 4º ano de Jornalismo matutino, da Universidade Estadual de Londrina - UEL

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